CORDEL ATEMPORAL

Espaço para divulgação da Literatura de Cordel e da Cultura Popular Brasileira

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

CORDEL NO TUCARENA

 

Marco Haurélio e João Gomes. Foto de Bruna Campos

Foi uma noite inesquecível. Durante três horas, na quarta-feira, 20/8, sucederam-se no palco do Tucarena violeiros, cordelistas, poetas populares e estu- diosos da literatura de cordel para comentar o lançamento do sexto número da revista Cultura Crítica.

O professor Erson Martins iniciou os trabalhos comentando a história da revista e a importância de seu projeto.

Marco Haurélio, poeta e folclorista, contou um pouco do cordel e da sua luta de resistência num mundo que traça uma barreira entre o erudito e popular. "Entendo a cultura como toda a ação transformadora do mundo. Hoje, longe de estar morto o cordel é um gênero revigorado." A professora Edilene Matos, do Departamento de Arte, num relato apaixonante, descreveu toda a sua estreita relação com a literatura de cordel. A seguir apresentaram-se os cantadores e poetas, emocionando a platéia com seus versos e suas canções. João Gomes de Sá, Varneci Nascimento, Costa Sena, Cacá Lopes, Tim Tim, Moreira de Acopiara, Bosco, entre outros, deram seu recado com maestria.

A noite terminou com o grande repentista Sebastião Marinho que, de improviso, brincou com a platéia do Tucarena na mais legítima tradição dos repentistas nordestinos. O próximo número da Cultura Crítica, que comenta as obras de Machado de Assis e Guimarães Rosa será lançada no dia 29/9.

http://www.apropucsp.org.br/jornal/669_j05.htm

criado por marcohaurelio    14:01:34 — Arquivado em: Sem categoria

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Revista dedica edição de agosto ao Cordel

A revista Cultura Crítica, da APROPUC (Associação dos professores da PUC) de São Paulo, acaba de ser lançada numa edição inteiramente dedicada à literatura de cordel.

A poesia popular do Nordeste é vista de vários ângulos por estudiosos como Roberto Benjamin, Edilene Matos, Martine Kunz, Sylvie Debs, Simone Mendes, Assis Ângelo, Vera Lúcia de Luna e Silva, Ivone da Silva Ramos Maia, Alessandro Teixeira Nóbrega, Rosângela Maria Oliveira Guimarães, Sylvia Regina Bastos Nemer, Vilma Quintela e Gilmar de Carvalho, além dos poetas populares e igualmente pesquisadores Arievaldo Viana, Aderaldo Luciano, Fanka Santos e Marco Haurélio.

Quatro artigos foram dedicados a Leandro Gomes de Barros, evidência do prestígio do "Rei da Literatura de Cordel".

O lançamento oficial, entretanto, será no dia 20 de agosto no TUCA Arena da PUC, com a presença de cordelistas e demais artistas populares.

criado por marcohaurelio    10:59:51 — Arquivado em: Sem categoria

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Salve São João

A cultura popular brasileira floresceu ao lado da tradição católica, presente desde que Frei Henrique Soares celebrou, na Bahia, em 1500, a primeira missa. As simpatias de São João, que remetem às consultas aos velhos oráculos, demonstram isso. O antiqüíssimo hábito de acender fogueiras, associado aos ritos da fertilidade, alimenta, no sertão principalmente, o desejo de se conhecer o futuro no tocante a um bom casamento ou a sua manutenção – para os já casados.

Abaixo alguns exemplos de simpatias de São João.

Para ver o rosto do futuro cônjuge:

23 de junho, noite de São João: quem quiser ver o rosto da pessoa com quem vai se casar, é preciso comprar um espelho “virgem”, escondê-lo e à meia-noite desejar ver a pessoa. Depois é só olhar fixamente para o espelho, sem desviar os olhos por nada desse mundo. Virá um vento forte e depois aparecerá no espelho o rosto da pessoa.

Simpatia da faca na bananeira:

Quem quer saber a primeira letra do nome do futuro cônjuge, deve, na noite de São João, pegar uma faca “virgem” e saltar com ela três vezes a fogueira. Depois cravar a faca num pé de bananeira, deixando-a lá. No dia 24, bem cedo, verificar a faca: a primeira letra do nome do (a) futuro (a) esposo (a) aparece na faca.

Pra saber se vai estar vivo no próximo São João:

A pessoa deve acordar bem cedo no dia 24 e ir a uma fonte, cacimba, enfim, qualquer lugar com um bom volume de água. Uma bacia também serve. Sem falar com ninguém, o interessado deve se mirar na água. Se não conseguir vir a duas orelhas morrerá antes do próximo ano.

Para saber quem vai morrer primeiro:

No dia 24 de junho, pegar duas brasas da fogueira, e marcar cada uma identificando-a com a pessoa. Depois por as brasas numa bacia com água e esperar; a brasa que representa a pessoa que vai morrer primeiro afundará.

Na música popular, uma bela referência a este costume se encontra em Leva eu (Sodade), de Tito Guimarães e Alberto Cavalcanti:

“Na noite de São João,
No terreiro, uma bacia,
Que é pra ver se para o ano
Meu amor inda me via.”

E viva o Precursor de Nosso Senhor Jesus Cristo, o São João do Carneirinho.

criado por marcohaurelio    16:23:11 — Arquivado em: Sem categoria

sexta-feira, 13 de junho de 2008

E Viva santo Antonio!

Por: Marco Haurélio

Santo Antônio é o santo de maior popularidade no Brasil. Nascido em Portugal, morreu a caminho de Pádua, na Itália, para onde se dirigia com o intuito de curar uma hidropisia (acúmulo de serosidade numa cavidade ou no tecido celular), a 13 de junho de 1231. Foi canonizado pelo papa Gregório IX, no dia 13 de maio do ano seguinte à sua morte. A ele estão relacionadas lendas, simpatias e até expressões populares, como “tirar o pai da forca”. Segundo o relato tradicional, Santo Antônio se encontrava em Pádua, e teve de se deslocar até Lisboa para livrar seu pai, acusado injustamente de homicídio, da forca. A lenda descreve dois milagres: a bilocação (capacidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo); e a ressurreição do jovem assassinado, que inocentou o pai de Santo Antônio.

A lenda ainda alimenta outra modalidade folclórica, a quadra popular:

Santo Antônio é tão santo
Que livrou seu pai da morte
Bem podia Santo Antônio
dar-me uma bonita sorte

(Fernando de Castro Pires de Lima. Um milagre de Santo Antônio. Em LIRA, Marisa. Estudos de folclore luso-brasileiro).

A cidade de Paratinga, na Bahia, às margens do rio São Francisco, já se chamou Santo Antônio do Urubu de Cima. Isto em 1718, quando deixou de ser arraial passando a freguesia. A razão do nome incomum: uma imagem do santo teria sido encontrada por um caçador num tronco de árvore. No galho de cima, a ave, de asas abertas, protegia o santo do calor do sol. No local, foi construída a capela onde o santo era venerado. A imagem teria sido deslocada para o santuário de Bom Jesus da Lapa - uma gruta transformada em igreja –, mas sempre retornava para o seu centro de devoção. Suas pegadas ficavam impressas na areia.
Aprendi, desde os cinco anos, uma singela oração, ensinada por D. Luzia Josefina (minha avó). É possível que existam variantes:

Santo Antônio pequenino
Quando Deus era menino
Sete sinos se tocavam
Sete livros se rezavam
Senhor Bom Jesus da Lapa
Seja meu padrinho
Fez uma cruz na minha testa.
Livra-me do Demônio
De noite e de dia
No pino do meio-dia
Amém.

Tem valor de esconjuro e, por isso, traz o número cabalístico 7.
E viva Santo Antônio, o Santo Casamenteiro!

criado por marcohaurelio    13:06:59 — Arquivado em: Sem categoria

A FAMIGERADA DANÇA DO CRÉU

Autor: Waldeck de Garanhuns

Meus amigos atenção
vamos fazer escarcéu
pois a praga já chegou
mostrando a cara sem véu
a coisa é famigerada
para o mal da garotada
chegou a dança do créu.

Chamar aquilo de dança
chega a ser um sacrilégio
pois dança é coisa divina
e dançar é um privilégio.
Aquilo é um rebolado
safado e mal acabado
um ato de sortilégio.

Tanta obscenidade
sem motivos sem razões
fruto da mediocridade
de imbecis fanfarrões
desprovidos de talento
com pensamento nojento
iludindo as multidões.

Esses falsários da arte
têm que ser abolidos
gravadoras não deviam
gravar esses atrevidos.
Se as rádios não tocassem
televisões não mostrassem
eles seriam banidos.

Mas a mediocridade
não está só em quem faz
a maior parte das rádios
com isso se satisfaz
divulgando a excrescência
que junto com a prepotência
a maledicência traz.

A televisão propaga
dando fama futurista
a qualquer um imbecil
que se arvora de artista
impondo uma ditadura
fazendo a anticultura
em atitude fascista.

Tem TV e Rádio boa
pois nem todas são assim
somente as mercantilistas
divulgam coisa ruim
denegrindo as coisas boas
imbecilizam as pessoas
em um medíocre festim.

Essa praga se espalha
por entre a população
que se influencia fácil
por falta de educação.
Nós temos que educar
nosso povo pra pensar
e ao que ruim dizer um não.

Quem tem má educação
vê e ouve o que não presta,
ainda acha que é bom
e disso faz uma festa.
Por não ter conhecimento
consumir o "excremento"
apenas é o que lhe resta.

Nossa má educação
só nos traz dificuldade,
não se vive por inteiro
só se conhece a metade.
Coisas boas desprezamos
sem perceber mergulhamos
na cruel mediocridade.

Com essa realidade
o povo vive ao léu
em aglomerados loucos,
nem olha mais para o céu!
Perde sensibilidade
e dá oportunidade
para a miséria do créu.

Esse tipo de "arte" faz
muita gente se iludir
porque isso não é arte
só chega pra confundir.
É oriundo do mal
não é intelectual
por isso tem que sumir.

Muita gente pode achar
até que sou radical
porém está enganado
o que eu não gosto é do mal.
A cultura popular
deve se manifestar
mas não de modo banal.

O novo é muito legal
mas quando vem com beleza,
e não de modo obsceno
fomentando a incerteza,
sem ter sentido e sem nexo
banalizando o sexo
desmantelando a pureza.

Eu tenho muita tristeza
quando vejo a criancinha
induzida por adultos
a remexer a bundinha,
em gestos sexuais
medíocres, feios, banais,
com essa dança daninha.

E essa coisa mesquinha
entra em nossas escolas
e em algumas encontra
professores sem cacholas,
que fazem a criançada
dançar a famigerada
remexendo as "rabicholas".

A escola deveria
ser a primeira a barrar
esse tipo de costume
e à criança ensinar
o lado bom da cultura
pra formar na criatura
a lucidez do pensar.

A escola deve ter
a responsabilidade
de afastar nossas crianças
dessa mediocridade.
Combater os maus costumes
e espargir os perfumes
da moral e da verdade.

Atrás dessa improbidade
outras piores virão,
se nós os educadores
não dermos toda atenção,
a fim de realizar
uma mudança sem par
através da educação.

Só se faz uma nação
soberana, em bom estado
com ética e honestidade
povo bem alimentado
escola que ensine bem
saúde por um vintém
e um povo muito educado.

FIM

Este cordel virtual foi enviado por meu amigo, Valdeck de Garanhuns, um dos grandes artistas deste país. Concordo com ele em gênero, número e grau.

criado por marcohaurelio    09:33:05 — Arquivado em: Sem categoria

quarta-feira, 21 de maio de 2008

CATÁLOGO DE CORDEL DA EDITORA LUZEIRO

Catálogo da Editora Luzeiro

Peça por telefone, e-mail ou carta:
Rua Dr. Nogueira Martins, 538 – Saúde – São Paulo – SP
CEP: 04143-020
TEL/FAX: (11) 5585-1800
www.editoraluzeiro.com.br  
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ABC dos Namorados, do Amor do Beijo e da Dança
A Batalha de Oliveiros com Ferrabrás
A Briga de Dois Matutos por Causa de um Jumento
A Chegada de Lampião no Céu

 
A Chegada de Lampião no Inferno
A Chegada de Lampião no Purgatório
A Confissão de Antônio Silvino
A Coragem de Juquinha pelo Amor de Ivonete
A Coragem de um Vaqueiro em Defesa do Amor
A Duquesa de Sodoma
A Escrava do Destino
A Fera de Petrolina
A Filha da Louca do Jardim
A Filha de um Pirata entre a Espada e a Sorte
A Força do Amor, a Morte de Alonso e a Vingança de Marina
A História de Belisfronte, o Filho do Pescador
A Intriga do Cachorro com o Gato
A Lagoa Misteriosa e o Cavalo Encantado
A Louca do Jardim
A Luta de Zé do Caixão com o Diabo
A Moça que se Casou 14 Vezes e Continuou Donzela
A Morte de Leandro. Saudades…
A Morte, o Testamento e o Enterro de João Grilo
A Mulher que Enganou o Diabo
A Mulher que se Casou 18 vezes
A Mulher Roubada
A Noiva do Diabo
A Princesa Anabela e a Filha do Lenhador
A Princesa Rosinha na Cova dos Ladrões
A Promessa da Vingança
A Segunda Vida de Cancão de Fogo
A Sorte do Amor
A Traição de Dalila e a Força de Sansão
A Triste Sorte de Jovelina
A Vaca Misteriosa
A Verdadeira História de Chico Xavier
A Vida de um Nordestino em São Paulo
A Vingança de um Inocente
A Vingança de uma Fada e um Anão Misterioso
A Vitória de Floriano e a Negra Feiticeira
A Vitória do Príncipe Roldão no Reino do Pensamento
A Volta de Lampião ao Inferno
Amor de Mãe
Amor e Martírio de uma Escrava
Amor em Face do Destino
Amor entre a Verdade e o Punhal
Amor que venceu a morte
Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos
Antônio Silvino – Vida, Crimes e Julgamento
As Astúcias de Camões
As Aventuras de João Desmantelado
As Perguntas do Rei e as Respostas de Camões/ As Palhaçadas de Pedro Malazarte
Aventuras de Simbá, o Marujo
Briga de São Pedro com Jesus por Causa do Inverno
Carta de Satanás a Roberto Carlos
Celeiro Poético
Chicuca, o Professor dos Ladrões
Cidrão e Helena/ João Besta e a Jia da lagoa
Coco Verde e Melancia
Como Ser Feliz no Casamento
Daniel e seus amigos disputando uma Princesa
Dimas e Madalena nos Labirintos da Sorte
Disputa de Bocage com um Padre
Encontro de Lampião com Adão no Paraíso
Encontro de Cancão de Fogo com Pedro Malazarte
Encontro do Pres. Tancredo com o Pres. Getúlio Vargas no céu
Enfrentando a Morte
Festa da Bicharada
Grinaura e Sebastião
Helena, a Virgem dos Sonhos
História da Donzela Teodora
História da Princesa da Pedra Fina
História da Princesa Rosamunda ou a Morte do Gigante
História de Geraldo e Silvina
História de João da Cruz
História de Mariquinha e José de Souza Leão
História de Três Cavalos Encantados e Três Irmãos Camponeses

História de Valdemar e Irene
História de Vicente e Josina
História de Zezinho e Mariquinha
História do Bicho de Sete Cabeças
História do Boi Leitão
História do Boi Misterioso
História do Bom Pai e Mau Filho
História do Gigante Quebra – Osso e o Castelo Mal Assombrado
História do Menino dos Bodinhos e a Princesa Interesseira
História do Príncipe Formoso
História do Valentão do Mundo
História do Valente João Acaba – Mundo e a Serpente Negra
História do Valente Sertanejo Zé Garcia
História do Valente Vilela
História do Vaqueiro Damião
História, Vida e Morte Luiz Gonzaga – Os Maiores Sucessos
Horácio e Enedina entre o Amor e o Orgulho
Já Bebi, Não Bebo Mais! Bebo Até Lascar o cano
Jerônimo, o Grande Herói do Sertão
Jesus Cristo e o Mestre dos Mestres
Jesus e o Homem do Surrão Misterioso

Joana D’Arc a Heroína da França
João Soldado o Valente Praça que Meteu o Diabo num Saco
João Terrível e o Dragão Vermelho
João Valente e a Montanha Maldita
Josafá e Marieta
Juvenal e o Dragão
Lágrimas de Amor
Lampião e Maria Bonita no Paraíso
Lampião e Padre Cícero num Debate Inteligente
Lampião e sua História Contada Toda em Cordel
Lampião, o Rei do Cangaço
Manassés e Marili entre a Luta e o Amor

Maria Bonita a Mulher do Cangaço
Martim Tomba Serra e o Gigante do Deserto
Nequinho e Jandira
Novas Proezas de Bocage
O Cachorro dos Mortos
O Cangaceiro Isaías
O Cangaceiro do Nordeste
O Capitão do Navio
O Cavaleiro das Flores
O Comprador de Barulho
O Contador de Mentira
O Encontro de Cancão de Fogo com Vicente o Rei dos Ladrões
O Encontro de Lampião com Dioguinho
O Enjeitado de Orion
O Encontro de Lampião com Saturnino no Inferno
O Escravo Fiel
O Exemplo do Menino que Falou no Ventre da Mãe
O Ferreiro das Três Idades
O Filho de Evangelista do Pavão Misterioso
O Filho de Juvenal e a Serpente de Fogo
O Filho do Herói João de Calais
O Grande Combate de Neve Branca com João Cabeleira
O Grande Debate de Camões com um Sábio
O Grande Debate de Lampião com São Pedro
O Herói da Montanha Negra
O Herói João Canguçu
O Jogador na Igreja
O Lobisomem Encantado
O Massacre de Canudos
O Menino das Abelhas e a Formiga Encantada
O Mistério dos Três Anéis
O Monstro sem Alma
O Mofino que virou Valente
O Negrão do Paraná e o Seringueiro do Norte
O Neto de José de Souza Leão
O Pai que forçou a Filha na Sexta Feira da Paixão
O Pavão Misterioso
O Pistoleiro Invencível
O Prêmio da consciência
O Presidente Tancredo a Esperança que não Morre
O Príncipe Enterrado Vivo e a rainha Justiceira
O Príncipe João - sem - Medo e a Princesa da Ilha dos Diamantes
O Príncipe Natan e o Cavalo Mandingueiro
O Prisioneiro no Castelo da Rocha Negra
O Quengo de Pedro Malazarte no Fazendeiro

 

Os Cabras de Lampião
Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho
Peleja de Azulão com Palmeirinha

Presepadas de Chicó e Astúcias de João Grilo
Proezas de Broca da Silveira
Proezas de João Grilo
E muito mais…

Preços especiais para revendedores e distribuidores.
MAIS TÍTULOS:
http://recantodasletras.uol.com.br/cordel/156109  

criado por marcohaurelio    17:39:28 — Arquivado em: Sem categoria

MÚSICA DA BOA NA REDE

Todos sabem do bloqueio levantado pela mídia gorda para pasteurizar toda a produção e o saber cultural, reduzindo-os a uma forma única, grotesca e, em muitos casos pornográfica. Mas não é que esse bloqueio está sendo furado!

As grandes gravadoras multinacionais assistem, no dia-a-dia, cair vertiginosamente seu faturamento em decorrência do uso das novas tecnologias, em especial da internet. Ou seja, "eles são carrascos e vítimas do próprio mecanismo que criaram", como dizia Raul Seixas.

Reafirmando o que eu disse, chegou-me este "emeio", do meu amigo, o cantor e cordelista Carlos Silva, que, com grande satisfação, abaixo reproduzo.

Este é o estúdio de gravação do nosso programa Feito em Casa.
exibido todos os Sábados a partir das 14:00 horas.
www.kerotv.com.br  

Um programa de musica e muita informação cultural.
O FEITO EM CASA antes de ser um programa de tv pela net, é o formato do show que apresentamos nas noites paulistanas.
Se houver interesse, leve esse show pra sua cidade, seu evento enfim…

Marco Mendes
Lucy
Claudia Zen
Ciço do Crato
Carlos Silva e convidados.

 

criado por marcohaurelio    09:11:34 — Arquivado em: Sem categoria

terça-feira, 20 de maio de 2008

CLÁSSICOS EM CORDEL NO SALÃO DO LIVRO NO RIO

Os dois livros da Coleção Clássicos em Cordel estarão à venda no Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, no Rio de Janeiro. Os livros integram o estande da Editora Nova Alexandria.

Os Miseráveis, adaptação do cordelista e ilustrador Klévisson Viana do romance de Victor Hugo, narra as aventuras de Jean Valjean, um dos mais belos personagens da literatura universal.

O Corcunda de Notre-Dame, de João Gomes de Sá, também adaptado a partir de um romance do grande escritor francês, é a história de Quasimudo (Quasímodo no original), o corcunda da Catedral de Santana, pequena cidade do interior nordestino.

Os dois livros são magistralmente ilustrados pela dupla Murilo e Cíntia.

10º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens
Local: MAM – Museu de Arte Moderna
Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 Parque do Flamengo RJ • Tel: (21) 2240-4944
Data: De 21 de maio a 1º de junho de 2008
Horário: Segunda a sexta, das 8h30 às 18h; sábados, domingos e feriado, das 10h às 20h.
Ingresso: R$ 3,00 (gratuidade para maiores de 65 anos, portadores de deficiência e professores da Rede Municipal de Ensino)

FNLIJ • Tel.: (21) 2262-9130 / www.fnlij.org.br  

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segunda-feira, 19 de maio de 2008

LANÇAMENTO: A AMBIÇÃO DE MACBETH

NOVO LIVRO DE ARIEVALDO VIANA E JÔ OLIVEIRA

LANÇAMENTO: No Salão do Livro do Rio de Janeiro.
Será na próxima quarta-feira dia 21, às 12 horas em ponto.
O Salão do Livro está montado no pátio do Museu de Arte Moderna, MAM,
no centro do Rio de Janeiro, ao lado do aeroporto Santos Dumont.
Presença de JÔ OLIVEIRA e do presidente da ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL, poeta GONÇALO FERREIRA.

A AMBIÇÃO DE MACBETH
E A MALDADE FEMININA

Autor: Arievaldo Viana

Ilustrações: Jô Oliveira

(Livre adaptação da obra MACBETH, de William Shakespeare)

Drama contundente, onde a ambição de um homem aparentemente bom e justo e a maldade cega de uma perversa mulher os conduzem à perdição. Saiba como o ser humano pode ser levado a cometer maldades por causa de ambições e emoções ocultas dentro de si. Bravura! Feitiçaria! Ambição! Traição e morte!

De Eva, a primeira mãe,
Nasceu toda perdição;
Tentada pela serpente,
Persuadiu a Adão
E fê-lo comer do fruto
Que nos trouxe a maldição.

A beleza das mulheres
E seu carinho materno
São os dotes mais perfeitos
Que lhes deu o Pai Eterno,
Mas a perfídia de algumas
Pode levar ao inferno.

Estudiosos de hoje
Têm outro ponto de vista,
Alegam que as escrituras
Possuem um teor machista
E que essa visão é própria
De um porco chauvinista.

Porém, deixando de lado
Nossa Sagrada Escritura,
Peguemos, pois, outro exemplo
Na pagã literatura:
O drama de Macbeth,
Realidade mais pura.

O livro é mais um lançamento da Cortez Editora, que este ano promoverá a sexta edição do CORDEL NA CORTEZ. http://www.cortezeditora.com.br/

criado por marcohaurelio    10:03:56 — Arquivado em: Sem categoria

quinta-feira, 15 de maio de 2008

ELE É O CEGO ADERALDO!

O Cego Aderaldo, personagem da mitologia nordestina, deve a um folheto de cordel muito do seu prestígio lendário. Aderaldo Ferreira de Araújo não nasceu cego. Perdeu as “vistas” aos dezoito anos, num desastre de trem na estrada de Baturité. Era o maquinista. A partir daí adotou a profissão errante dos aedos. Nesta condição o folclorista Leonardo Mota o encontra em princípios dos anos de 1920. E anota a partir de depoimento de Aderaldo a versão para a sua cegueira. Ao citar algumas estrofes do velho trovador Luiz Dantas Quesado, que davam conta de coisas impossíveis, Mota ouviu e anotou estas duas estrofes, imaginando-as saídas da cachola de Aderaldo:

“Só nos falta vê agora
Dá carrapato em farinha,
Cobra com bicho-de-pé,
Foice metida em bainha,
Caçote criá bigode,
Tarrafa feita sem linha.

Muito breve há de se vê
Pisá-se vento em pilão,
Botá freio em Caranguejo,
Fazê de gelo carvão,
Carregá água em balaio,
Burro subi em balão”.

Mota com Jacó Passarinho e Aderaldo (com a rabeca)

Impressionado, Mota depõe em Cantadores (1921): “Se o cantador cego Aderaldo foi, inquestionavelmente, o de melhor voz de quantos com quem hei tratado, está, ainda, entre os de mais apreciável veia poética Estas duas estrofes, contudo, segundo o poeta popular Arievaldo, são de Leandro Gomes de Barros, do folheto O Galo Mysterioso, Marido da Galinha de Dentes, reeditado pela Editora Queima-Bucha de Mossoró.
Entretanto, é ao poeta de bancada Firmino Teixeira do Amaral que Aderaldo deve boa parte da fama amealhada. A Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, dada por muitos como acontecida, foi composta por Firmino, então funcionário da Editora Guajarina, de Belém do Pará, antes de 1920, pois já é citada no livro de Leonardo Mota, pelo cantador cearense Jacó Passarinho. Estão nesta peleja os impagáveis trava-línguas que a memória coletiva absorveu. Os cantadores são indicados por letras iniciais de seus nomes de guerra. Aderaldo:A; Zé Pretinho: P. Então, vamos às amostras:

“P.: Eu vou mudar de toada
Pra uma que mete medo -
Nunca encontrei cantador
Que desmanchasse este enredo:
É um dedo, é um dado, é um dia
É um dia, é um dado, é um dedo!

C.: Zé Preto, este teu enredo
Te serve de zombaria:
Tu hoje cegas de raiva
E o diabo será teu guia -
É um dia é um dedo, é um dado
É um dado, é um dedo, é um dia!

P. : Cego, respondeste bem,
Como quem fosse estudado!
Eu, também, da minha parte,
Canto versos aprumado –
É um dado, é um dia, é um dedo,
É um dedo, é um dia, é um dado!

C.: Vamos lá, seu Zé Pretinho,
Porque eu já perdi o medo:
Sou bravo como um leão,
Sou forte como um penedo -
É um dedo, é um dado, é um dia
É um dia, é um dado, é um dedo!”

Zé Pretinho, pra sua infelicidade, pede, então, a Aderaldo que puxe uma bela toada. E o Cego se sai com esta:

“C.: Amigo José Pretinho,
Eu nem sei o que será
De você depois da luta -
Você vencido já está!
Quem a paca cara compra
Paca cara pagará!

P.: Cego, eu estou apertado
Que só um pinto no ovo!
Estás cantando aprumado
E satisfazendo o povo -
Mas esse tema da paca
Por favor, diga de novo!

C.: Disse uma vez, digo dez -
No cantar não tenho pompa
Presentemente, não acho
Quem o meu mapa me rompa -
Pagará a paca cara
Quem a paca cara compra!

P.: Cego, teu peito é de aço,
Foi bom ferreiro que fez -
Não pensei que cego tinha
No verso tal rapidez!
Cego, se não for maçada,
Repete a paca outra vez!

C.: Arre! Que tanta pergunta
Desse preto Capivara!
Não há quem cuspa pra cima
Que não lhe caia na cara -
Quem a paca cara compra
Pagará a paca cara!

P.: Agora, Cego, me ouça:
Cantarei a paca já
Tema assim é um borrego
No bico de um carcará!
Quem a caca cara compra
Caca cara cacará!”

A peleja, neste vacilo de Zé Pretinho, é vencida por Aderaldo. Embora tenha se tradicionalizado, e muitos ainda a dêem por real, a Peleja, como foi exposto supra, é tão fictícia quanto o Zé Pretinho que nela apanha de Aderaldo, e que é confundido com o grande Zé Pretinho do Crato, criador do galope à beira-mar. Firmino Teixeira do Amaral, que o saudoso Professor Átila Almeida dá como cunhado do Cego Aderaldo, é ainda, conforme este autor, “o mais brilhante poeta popular que já deu o Piauí, um dos melhores do Nordeste”.
Raquel de Queirós acredita piamente que tal disputa poética ocorreu. Crê ainda que o Cego pelejou com Frankalino, transcrevendo como dele versos do mesmo e imortal Firmino. O poeta Antônio Américo de Medeiros, residente em Patos, Paraíba, colheu esta sextilha de um suposto encontro havido entre Aderaldo e Lampião, onde o menestrel louva o Rei do Cangaço:

“É esta a primeira vez
Que canto pra Lampião,
A maior autoridade
Que cruza todo o sertão,
Fazendo medo a alferes,
Tenente e capitão.”

Como boa parte da produção atribuída a Aderaldo, não se sabe se esta estrofe também pertence aos domínios da lenda. O fato é que Aderaldo foi uma grande alma, tendo adotado, em seus 85 anos de vida, vinte e seis meninos, inicialmente seus guias. Com o tempo, abandonou a prosaica rabeca e passou a trabalhar com um velho projetor de filmes. Quando morreu a 30 de junho de 1967, em Fortaleza, foi cantado e pranteado como um rei. Prova irrefutável que a lenda havia sido impressa com letras indeléveis no Livro da Imortalidade.

Notas:

Parte da famosa Peleja foi reaproveitada por João do Vale e Nara Leão e registrada no disco Opinião, de 1965.

A minissérie global Hoje é Dia de Maria também utilizou trechos do trava-língua da paca, com o qual a esperta Maria ludibria o demônio Asmodeu.

"Segundo entrevista do próprio Cego Aderaldo ele cegou da seguinte maneira: Chegou em casa meio dia em ponto com o corpo muito quente e tomou um copo de água fria, logo em seguida sua vista começou a escurecer… Durante toda a sua vida Aderaldo se questionou como um simples copo d’água podia cegar uma pessoa. Perguntei ao médico oftalmologista e cordelista Breno de Holanda se isso era possível, simplesmente ele não soube responder. Na verdade foi uma fatalidade. Aderaldo tinha muita vergonha de pedir esmola, fez uma promessa com São Francisco de Canindé para encontrar um meio de ganhar a vida sem precisar mendigar, à noite sonhou com inúmeras estrofes, daí então descobriu seu dom poético e não parou mais de cantar. " (Klévisson Viana)

Marco Haurélio declama trechos da famosa Peleja em evento. Crédito: Sidney

A Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum é uma das obras-primas da Coleção Luzeiro: www.editoraluzeiro.com.br  

Marco Haurélio é cordelista e pesquisador de cultura popular.

criado por marcohaurelio    11:35:20 — Arquivado em: Sem categoria
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